sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A Consciência precisa ter começo e fim para existir? - Atualizado em 21-Mar-2017



    O que pode haver de mais intrigante do que a Criação? Como Ela aconteceu? Por que veio Ela a existir? A Criação foi espontânea ou predeterminada? Se for espontânea, havia uma substancia criada anteriormente? O caos tem alguma qualidade em si mesmo? Se o tem, qual é a sua origem?

    Apesar de que quando falamos na Criação logo nos vem à teologia e a imensa literatura que a mesma descreve a "razão" do inicio do universo e da vida. Não podemos esquecer de que, seja qual for a teoria mais razoavelmente aceita hoje sobre a Criação, ela não era questionada até o primeiro ser humano perguntar a si mesmo: “- Por que?”.

    Até esta pergunta ser feita – e talvez esta seja a expressão mais preciosa da humanidade – o que era então a Criação? Se admitirmos que exista uma causa predeterminada, voltamo-nos à teologia, ou à mente como força propulsora da Criação. Esse conceito entende que a Criação foi uma ideia primordial, com um objetivo a ser atingido. Resumindo, que foi Ela premeditada.

    Esse conceito pressupõe que há uma entidade racional, pensante e que a Criação seria uma ideia incorporada à mente desta entidade, tal potencialidade mental, só nos é conhecida em semelhança à mente humana. Por isso é natural o ser humano pensar nesta Mente Infinita como um atributo de um Ser Sobrenatural.

    Embora ainda fique a pergunta: “- O que havia antes desta entidade idealizar a Criação?”. Com certeza, “nada” é o que não poderia ser, pois esta entidade já seria por si mesma algo demais para ter a capacidade de criar, pois o nada não pode dar origem a alguma coisa. Lembram-se?

    Deste modo, admitindo-se que esta entidade é infinitamente inteligente, racional, pensante, deduz-se que ela projetou a Criação através de raciocínio inteligente e, logicamente, teve que realizar escolha e preferências para que a Criação por ela projetada fosse realizada ao seu gosto.

    Isto nos leva ao fato de que tal entidade, teria de ter os atributos análogos ao do ser humano, como as emoções, paixões e sentimentos. Sendo assim, fica fácil de concluir que pareceu lógico ao próprio ser humano, atribuir a esta entidade as características inerentes a ele, porem com poderes ou aspectos divinos, como os deuses.

    Através do conhecimento de que a mente elabora um pensamento inteligente através dos raciocínios dedutivo, silogístico e indutivo, percebemos que o ser humano não teve outra escolha em sentir em si mesmo alguma intimidade entre ele e o seu Criador.


    Assim como também, o ser humano passou a partir de si mesmo, autoidentificar-se com os atributos que naturalmente deveriam fazer parte do Criador, pois não tinha outra espécie que pudesse servir de modelo inteligente, pensante e racional, como ele mesmo.

    Logo, a necessidade de existirem tais deuses era mais do que natural, do mesmo modo que havia vários seres humanos e com qualidades diferentes entre si, e que as suas proles apesar de manterem certas características dos pais, possuíam uma personalidade totalmente diferente dos mesmos, o que fez os primeiro seres humanos a deduzirem que esta deveria ser a forma para eles serem criados por seres com diversas características.


    Dai surgiu à ideia de estes deuses teriam sido mortais, e que mais tarde, tivessem alcançado uma condição divina; posteriormente foram concebidos como seres auto gerados, ou seja, surgiram de si mesmos, e esta talvez tenha sido a forma que o ser humano encontrou para afastar destes deuses, qualquer ligação materna direta, ou algum tipo de vinculo inferior humano direto.

    A partir do monoteísmo, o Deus Único teria de ser auto gerado, pois nada o precederia. Tais ideias despertaram polêmicas teológicas e discussões antológicas. Em outras palavras, centralizavam-se em torno do mistério de um ser auto gerado, pressupondo-se que esta autogeração fora uma Criação a partir de um “algo” preexistente que fora transmutado em uma divindade ou de que Deus viera à existência a partir de um vazio, uma condição de não existência.

    Não obstante, aceitando-se esta condição de que Deus surgir do nada implica que a existência é uma realidade negativa, e voltamos à questão de onde então proveio aquele estado ou condição que recebeu à realidade de uma não existência?

    Se for apreendido ou denominado, não será, portanto uma “coisa”.

    Talvez o leitor esteja se questionando: "o que tudo isso tem a ver com a consciência?". Na verdade tem tudo a ver, pois, por que temos consciência e de onde ela veio?

    Há uma passagem muito bem conhecida da Bíblia e que também encontra-se nos escritos do Bhagavad Gita, nos hieróglifos egípcios e sumérios, por sinal bem mais antiga que a versão bíblica e que trata da polêmica fábula sobre a árvore da vida e do conhecimento.

    Esta fábula é mais uma dentre inúmeras que foram contadas oralmente ao longo de milênios por sábios, de forma que o real significado e profundamente abstrato, ficasse longe do povo ignorante, deixando a estes uma ideia mais simples que até hoje é levada como verdade sagrada.


    É ainda impressionante como tantas pessoas realmente acreditam que uma cobra soubesse falar com o ser humano e vice-versa. Contudo se alguém argumentar que no início da Criação o ser humano sabia falar a língua dos animais, como ele então "desaprendeu" ao provar do fruto da árvore da vida e do conhecimento? Que eu saiba, conhecimento não deixa ninguém mais burro, nem faz ninguém "desaprender".

    Ok, voltemos as personagens que envolvem o quinteto Deus, Adão, Eva, a serpente e a árvore. É mais do que justo fazer uma pequena reflexão sobre as personagens desta tão conhecida fábula:

          a) Deus. Bem esse até que dispensa comentários pois a sua participação é mais do que imprescindível, pois trata-se da Sua própria Criação;

          b) Árvore. Milenar símbolo do conhecimento, sabedoria, e da longevidade, além da analogia do conhecimento surgir na mente humana pelo processo de semear e colher seus frutos com o passar do tempo. Assim como também o da árvore vergar-se diante as intempéries da ignorância, sem tombar, pois as suas raízes sustentam a verdade.

          c) Serpente. Milenar símbolo do mistério, da dúvida e da indecisão. Provavelmente estas qualidades foram-lhe atribuídas devido a sua natureza invulgar que fez os antigos não saberem-na classificar, pois apesar de respirar, é um animal de sangue frio; apesar de possuir escamas, não é algum tipo de peixe; apesar de deslizar pelo solo e subir em árvores, não possui pernas ou mesmo patas. Se pensarmos bem, esta é um ser realmente "misterioso", mesmo com o conhecimento amplo que temos hoje sobre a mesma, agora imagine isto há mais de 5000 anos atrás (pelo menos)...

          d,e) Adão & Eva. Ambos na verdade poderiam representar a "obra prima" do Criador ou simplesmente a humanidade. Mas por que havia a necessidade de apresentá-los numa narrativa dando-lhes sutilmente atributos e atitudes bem distintas?

    Adão e Eva na verdade, representam a dualidade do ser humano, do Universo e do próprio Criador. Afinal, tudo o que existe é formado, composto ou expresso sempre de forma dual (positivo/negativo, masculino/feminino, luz/trevas, Céu/Inferno, etc).

    Se observar com mais atenção, as três personagens antes de Adão e Eva, não expressam nenhuma dualidade, tipo macho e fêmea. Pelo menos para os antigos, pois não havia como definir qual era o sexo da árvore, da cobra e muito menos do Criador...

    Por isso a trama foca-se no casal Adão e Eva... Agora vamos ser honestos. Por que Eva tinha que ser o "bode expiatório"? Afinal, foi através dela que todos nós passamos a ter vergonha e conhecermos o bem e o mal, além de tornarmo-nos mortais!

    Agora, partindo do pressuposto que todo esse Universo foi feito para um único casal humano, poderia até convencer a enorme quantidade de pessoas analfabetas e ignorantes da antiguidade. Mas eu duvido que ninguém tenha aparecido com alguma pergunta do tipo: "- Se o Criador fez milhares de casais de seres vivos, por que então apenas fez um único casal humano?". A resposta é bem simples: Porque ninguém sabia explicar! Por isso esta trama foi criada deste jeito.


    Eu já disse em outro trabalho, que muitas coisas foram "importadas" pelos e egípcios e seus "primos" os sumérios, mas fizeram de tudo para que o crédito fosse de outras literaturas, apenas porque a civilização egípcia já não era mais tão influente.

    E tem mais, esta trama tinha também que retratar a condição social vigente da época: O homem era o senhor da família, forte, inteligente e varão. Por outro lado, a mulher era apenas a companheira do homem, mãe de seus filhos e serviçal. Caso houvesse algum atributo feminino, este seria a intuição, sensualidade aliada a sua sexualidade e submissão ao homem.


    Por isso na trama, a mulher (Eva) foi tão facilmente enganada pela cobra (já que a inteligência era um atributo dos homens). É tão ridícula essa trama, que quem a bolou, nem se tocou que Adão com toda a sua inteligência, recebeu a maçã das mãos de Eva e não percebeu que era a o único fruto (entre milhares de outros) que não poderia comer! Ou seja, deu uma de tremendo babaca...

    Ainda hoje não é tão fácil falar desta dualidade, pois há muita coisa à respeito da mesma e possui a natureza abstrata, imagine então há milênios atrás.

    Agora se reunirmos todos as personagens, veremos que a verdadeira trama foi feita para retratar a dúvida, o momento que o ser humano disse a si mesmo "por que?" e passou a ter consciência de si mesmo e do Universo; tornou-se capaz de prescrutar o Universo e de saber que perguntando, encontraria respostas e acumularia o conhecimento, tornando-se cada vez mais sábio.

    Temos então, a seguinte imagem mostrando esse glorioso momento em que o ser humano reconheceu-se como um homo sapiens: A causa de tudo (Criador); o infinito conhecimento por detrás de toda esta Criação (árvore); a dúvida (cobra) que é a mola propulsora do pensamento inteligente; a dualidade dos seres e da mente da humanidade (Adão & Eva); a pergunta que é o fruto do saber (maçã).


    Tudo isto foi depois representado com muito mais detalhes na tão conhecida árvore da kabbalah. Pois ambas retratam a consciência e a autoconsciência humana de que há algo maior por detrás da sua existência. Contudo, muito de todo este simbolismo foi deturpado ou propositadamente "floreado" para agradar pessoas de aceitação intelectual fácil.

    Se prestarmos mais  a atenção na narrativa da árvore da vida e do conhecimento, o símbolo principal é a árvore. A árvore que representa não apenas o conhecimento, mas o conhecimento universal e a consciência universal. Em outras palavras, o aspecto divino que há no ser humano (chame este de como você quiser). Por ser um atributo de natureza abstrata, ainda hoje é motivo de muitas discórdias e muitas guerras.


    A consciência que possuímos, que sentimos fazer parte do âmago do nosso ser e que não fazemos a mínima ideia do seu alcance ou tamanho é maravilhosamente simbolizada pela árvore. Embora o conhecimento esteja relacionado à árvore, na verdade, o conhecimento é o produto final da compreensão humana que ocorre na consciência.

    É a consciência que tem as raízes arraigadas na mente e os seus frutos são as nossas ideias que "alimentam" a sabedoria humana através da somatória do conhecimento de cada ser humano, e as folhas que se trocam são as ideias que vão atualizando-se com a evolução do pensamento da humanidade.

    Passado esta fase de simbolismo, eu deixo algumas perguntas para que você possa refletir (até porque se eu responder, só terá valor para a minha própria consciência...): 

          - "- Qual é o limite da consciência (se é que há)?";

          - "- Temos a mesma consciência de tudo ou a consciência de cada um é única?";

          - "- Será que toda a Criação já está na nossa mente, e o ato de "descobrir" é apenas um processo de tornar-se consciente do que já existe em nós?";

          - "- Então, tempo e espaço são apenas estados de consciência?";

          - "- Desse modo, o meu corpo (com um DNA exclusivo), é apenas um 'filtro' que permite-me ter a consciência que preciso?";



    Eu espero que da próxima vez que você contemplar uma bela árvore, maravilhosas ideias surjam na tua consciência, como frutos de uma reflexão.

    Uma Paz Profunda!


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