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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Deep Web - A curiosidade que dá medo em muitos - Atualizado em 21-Mar-2017


    A Deep Web (DW) já não é tão nova assim para atiçar a curiosidade de muitas pessoas e nem tão pouco falada para que tantos tenham medo desta parte da WEB. Mas uma é certa: Tem muita gente descrevendo a DW como a porta do inferno na internet (da feita que você entra a tua alma já era...), tem até pastor pregando que foi o capeta que criou a DW para atrair as almas descuidadas que vivem o dia inteiro online nas redes sociais ou navegando na WEB...

    Emfim, desde criança já me contavam que este mundo é meio louco, mas não por conter tanta gente louca, mas por ter muita gente que "pensa como louco" por não entender o que existe e porquê existe.

    É até natural a curiosidade humana, mas fica esquisito quando essa curiosidade somente vê o que não presta, e o pior ainda é que muitos que mal sabem o que é a DW saem falando ou escrevendo horrores. Tudo bem que a DW não é nenhum parque infantil, mas também não fica a dever para o Yahoo Respostas, tratando-se de qualidade...

    Seja que rede você está usando, você não é jogado para páginas criminosas ou de conteúdo hediondo ou erótico. É você que está com o mouse ou teclado, e tem a liberdade de navegar por onde quiser, ninguém te obriga a ver porcarias! A DW não vive apenas de porcarias e se estas estão lá (como na superfície) apenas estão porque há um grande comércio por trás.

    Tem tanta coisa repugnante na superfície que não fica a dever para DW. A grande diferença é que estas porcarias não precisam ficar escondidas na DW, então tem-se a sensação de que há muita coisa que não presta.

    E nem precisa ir muito longe para constatar isso: Redes sociais que utilizam criptografia ponto a ponto como o WhatsApp (que trabalha na superfície), é largamente utilizado para o tráfico de drogas, armas, prostituição infantil), além de servir de galeria de horrores pois toda semana aparecem vídeos e fotos de execução de pessoas (bandidos ou não) ou de vítimas de acidente de veículos (algumas ainda agonizando antes morrer...), emfim, um um tipo de reality gore.

    Pelo fato das redes na DW serem mais lentas e poucas possuírem motores de busca ou terem catálogos ou mesmo listas de links não tão atualizados, dá-se aquela ilusão de que só existe o que é mostrado. Essa ilusão é em grande parte culpa do próprio internauta que já acomodou-se a recorrer ao Google para tudo o que quer (tem muita gente que já sabe o link mas usa o Google só para clicar).

    E como falar mal parece chamar mais a atenção, fica sempre aquela ideia de que a DW é uma "ratoeira" aos internautas ingênuos. É claro que há riscos, mas apenas para os irresponsáveis, pois as regras de segurança à serem usadas são as mesmas que todo internauta deve usar na superfície.

    Por que será que há tantos golpes cibernéticos na superfície? Porque pelo menos 80% dos internautas baixa a guarda ou acredita cegamente que tudo resolve-se usando um antivírus. A DW não é ruim, ruim são os cibercriminosos e os internautas desleixados que deixam as suas máquinas vulneráveis.

    A verdade é bem simples: Você só vai dar de cara com o que não presta se procurar por isto. No anonimato, a única pessoa em que você deve confiar é você.

    Também já está mais do que na hora de acabar com essa criminalização generalizada ao citar a DW. Tratar a DW como uma "região promíscua" da WEB é muito injusto. Excelentes profissionais de jornalismo conseguem trazer à tona material que deve ser do conhecimento público mundial; pesquisadores dedicados varrem com um "pente fino" arquivos esquecidos ou simplesmente desprezados, apesar do excelente conteúdo; organizações humanitárias apenas conseguem manter o seu pessoal vivo comunicando-se de forma segura e garantindo suprimentos para a manutenção de suas obras; e assim por diante.

    Mesmo parecendo ser bem grande o comércio ilegal e criminoso (inclusive bombardear as listas de links) lá no fundo, vemos que este número é pequeno (apenas é muito repetido), pois estes são sempre os mesmos poucos nomes que aparecem e não refletem o grande e bom conteúdo que sobrevive sem propagandas.

    Vamos cair na real: Quem mora em uma grande cidade acredita que é mais fácil conseguir alguma droga na DW do que ir até alguma esquina, escola, faculdade, bar ou em uma festa? Quem é dependente químico, viciado mesmo, com certeza já chegou a vender o próprio computador para comprar drogas; que viciado vai ainda esperar pelo correios a sua droga?

    Talvez esta realidade até possa valer em países onde o tráfico de drogas dá pena de morte ou prisão perpétua (e mesmo assim o pessoal destes países continuam traficando...).

    Ingenuidade é acreditar que o que há na DW não há na superfície...


    Deixo (aqui) um link sobre a DW para você divertir-se um pouco, aproveite e pesquise sobre outras pessoas, lugares, coisas, etc e ria à vontade!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Deep Web - Tor, Freenet ou I2P? - Atualizado em 28-Abrr-2017


    Obs. Os valores mostrados são baseados em estudos feitos em 2012, e de lá para cá tem mudado constantemente porém mantendo a mesma proporção. Ainda não consegui dados atualizados.


 
    As 3 redes mais conhecidas na Deep Web (DW) são Tor,  
Freenet e I2P, e essa popularidade não é à toa, pois os softwares necessários para o acesso a qualquer uma dessas redes é facilmente encontrado na superfície, assim como tutoriais e documentação à disposição de sobra.

    O engraçado é que foi nos comentários em diversos fóruns que veio-me a ideia de postar mais um artigo sobre a DW. Percebi que neste mundo da "internet das coisas", parece haver sempre um conjunto de 3 coisas brigando pela primeira posição (ou pelo menos por ficar entre as 3 primeiras), assim como os fãs dos mesmos:

  •     Nos sistemas Operacionais temos Windows, OS X e Linux;
  •     Nos Navegadores temos Google Chrome, Mozilla Firefox e Safari (o Edge está correndo contra o tempo para ficar entre os 3 primeiros);
  •     Nas suítes de escritório temos MS Office, LibreOffice e Open Office ;
  •     E essa lista ficaria muito comprida se eu fosse incluir tocadores, antivírus, compactadores, jogos, redes sociais, etc.
    Então é nada mais do que natural também haver um conjunto de 3 redes populares na DW.

    Pois é, e o que logo vem na cabeça do usuário é: Qual é a "melhor"? Eu digo que as 3, mas também digo que a pior também são as 3! Não entendeu? Bem, isoladamente cada uma tem aspectos positivos e negativos, dependendo das necessidades do usuário, uma (ou duas) destas redes pode ser perfeita ou pode ser um tormento. E isto deve-se ao fato destas 3 redes possuírem características bem distintas e definidas que não oferecem uma opção de rede genérica do tipo "faz tudo", a única coisa que estas 3 redes tem em consenso é garantir o anonimato e a privacidade. Então se você quer usar a melhor, use todas as três!

    Mas calma lá !!! Eu não disse usar as 3 juntas ou sair instalando as 3! Aprenda a usar uma de cada vez; familiarizar-se com a interface, configurações (se necessário); aprender a tirar o maior proveito delas... Até porque, a DW é muito grande e tem uma forma muito peculiar de navegar-se em cada rede. Não pense que entrando numa rede, todo o seu repositório estará ali de "mão beijada" para você. Você tem que aprender a procurar, a "garimpar", filtrar o que você quer diante do que lá aparece. Ok?

    Por causa do anonimato cada rede é projetada para uma finalidade específica diferente. Uma rede por si só não pode fazer o que as três podem fazer juntas. Tor e I2P não podem persistir informações como Freenet pode, TorFreenet podem não oferecer os transportes genéricos que I2P fornece assim como Freenet não lidar com streaming de dados, tão bem como Tor e I2P. Também não há sistema de proxy melhor do que a rede Tor.

Rede Tor

    Tor é um proxy anônimo da Internet. Você navega através de múltiplos relés Tor e, eventualmente, passar através de um relé de saída Tor que permite o tráfego para sair do Tor e na Internet. Tor tem a maior atenção e maior apoio. A base de usuários na rede Tor é em média de 100.000 a 200.000 usuários em tamanho que é o maior dos três. Tor também fornece uma ampla intranet anônima por atingir a superfície, além das redes Freenet I2P, Garlic e Burble formando uma teia de proxy muitas vezes chamada de Cebolândia.

    Cebolândia usa o mesmo método para ligar a máquina identificada por uma chave pública criptográfica. Desta forma, você não pode facilmente determinar o endereço IP de máquinas.

Aspectos positivos do Tor / Cebolândia (Onionland):

    Escrito em C, o que quer dizer ter o uso de memória rápida e geralmente baixo consumo de RAM.

    Tem uma interface muito fácil e simples de usar. Vidalia, o software de controle de Tor é também simples de usar e configurar com poucos cliques.

    É o mais robusto e sofisticado sistema para o proxy atualmente concebido.

Aspectos negativos do Tor / Cebolândia:

    A árvore de código fonte de qualquer projeto escrito em C é sempre enorme e difícil de descobrir o que está acontecendo. C é uma linguagem de sistemas de baixo nível compilado. É necessário mais esforço para evitar vazamentos de memória, buffer overflows e compatibilidade com diferentes arquiteturas e sistemas operacionais. Não existe tal coisa como um pequeno programa C, com C há sempre muito mais linhas.

    Funcionalidade limitada. Mesmo incluindo a funcionalidade de serviços ocultos, Tor ainda não faz muito além de agir como um proxy anônimo.

    A rede é muito lotada. A infraestrutura principal do Tor é 2.500 a 3.000 máquinas de encaminhamento de tráfego e tem 100.000 a 200.000 usuários por dia. Cebolândia tem menos anonimato em comparação a I2P. Com Tor você está direcionando a maior parte das 3.000 máquinas. I2P como a de março de 2012 tinha um valor estimado de 4 vezes o número de máquinas de informações de roteamento. Dependendo do dia, I2P tem cerca de 9.000 a 14.000 máquinas ativas. Mesmo sendo que 14.000 é a totalidade do I2P, você ainda precisa lidar com mais de 4 vezes mais máquinas em comparação a Cebolândia ao fazer ataques.

    Conexões com Tor não são dinâmicas como são túneis I2P, circuitos Tor persistem até fechar. Isto pode reduzir o anonimato.
Não há suporte para UDP.

O melhor uso para Tor é proxy anônimo à Internet regular ou superfície.


 Rede Freenet
 
    Freenet é uma rede de publicação de dados anônimos e é muito diferente do Tor e I2PFreenet tem muito maior latência e se concentra mais nas interações amigo para amigo com segurança de nível militar muitas vezes.

    Freenet é um grande caminhão que você pode despejar material direto, e enquanto I2P é uma série de tubos.

    Freenet usa UDP e é a "mais velha" das 3 redes ¹. É difícil medir o tamanho da Freenet por causa de sua capacidade de se conectar exclusivamente aos amigos e não para os estranhos. Estima-se ter cerca de 20.000 máquinas ativas, mas pode ter mais.

Aspectos positivos da Freenet:

    Compartilhamento P2P superior do que I2P. O "mais seguro" de todas as 3 redes para publicar conteúdo de forma anônima. Configuração fácil.

Aspectos negativos da Freenet:

    Lenta, ás vezes lenta até demais pois há muito recurso intensivo.

    Escrito em Java. Requer o sacrifício do usuário e não apenas a largura de banda, mas também espaço no seu disco rígido. Freenet é uma ferramenta para contornar a censura totalitária onde as pessoas seriam mortas por publicar determinados conteúdos. Por isso, não é para navegação casual. O melhor uso é publicar conteúdo de forma anônima, e é claro, o de poder ter o conhecimento do que não é possível via os canais regulares de notícias.

    ¹ Se considerarmos a existência da rede Tor a partir do Projeto Tor.

Rede I2P

    I2P é um peer to peer distribuído em camada de rede anônima. Este permite você enviar dados entre computadores que executam o I2P anonimamente com multicamada final para finalizar a criptografia.

    I2P derivado do IIP (Invisible Projeto IRC), que foi um dos projetos irmãos da Freenet. I2P concentra-se em exclusivo à comunicação interna e não proxy para a Internet regular ou superfície. I2P utiliza roteamento garlic que envolve pacotes aglomerem em pacotes maiores. A combinação de roteamento onion, criptografia multicamada e aleatória  em pacotes torna a análise do conteúdo e detecção da origem do tráfego I2P altamente impraticável, se não quase impossível. I2P tem atualmente 9.000 a 14.000 máquinas ativas, dependendo da hora do dia. A maioria dos nódulos são europeu ou russo.

Aspectos positivos da I2P:

    Pode fazer tudo o que a Internet regular pode fazer. Torrents, HTTP, ou qualquer outro protocolo baseado em TCP ou UDP. Camadas de protocolos transportadas definidas pelo usuário poderiam ser usadas como bem quiser se você souber um pouco de Java. API bem documentada para a criação de aplicativos que usam I2P Comunidade diversificada, interessante e experiente.

Aspectos negativos da I2P

    Novos usuários têm que esperar para obter velocidades mais rápidas e esta ainda não é tão rápida como Tor pode ser. Recurso intensivo, não tão ruim quanto Freenet mas ainda não é tão bom como Tor. Escrito em Java. Software experimental, ainda está sendo desenvolvido ativamente e é considerado software beta. Precisa de crítica acadêmica no nível que Tor tem recebido. A recepção do usuário iniciante ainda não está tão amigável como Tor.

    O melhor uso para I2P é para peer to peer de compartilhamento de arquivos e um substituto para a superfície no caso em que esta fique ruim o suficiente para justificar tal ação.


Conclusão


    Não há nenhuma rede de anonimato que "faça tudo". Para ter anonimato eficaz você deve aprender mais do que apenas uma ferramenta, pois é exatamente isso que cada uma destas 3 redes são: Uma ferramenta. Mesmo se você aprender a usar as 3 redes corretamente ainda há muito mais para aprender. Cada rede tem os seus diferentes usos. Há ainda mais ferramentas que podem ser usadas com essas redes para oferecer ainda mais funcionalidades que vão além deste curto esboço. Tal como incluindo tunelamento avançado e configuração SSH, VPNs pessoais e muitas ferramentas de linha de comando que, quando usado em conjunto podem fazer mais do que a maioria dos usuários médios pode com ferramentas de interface gráfica baseada.

    É claro que a DW é largamente usada por muitos usuários leigos em TI e nem todo mundo nasceu com a vontade de ser um especialista em redes, programação, etc. A verdadeira segurança sempre vai depender de você usuário! Não adianta apenas montar uma máquina "robusta" pois um simples detalhe esquecido pode servir de brecha para você perder o anonimato. Estas 3 redes já são boas dentro do propósito de uso que cada uma tem. Redes de anonimato agora são semelhantes a Internet no início de 1990, um "reino dos hackers" querendo criar um amanhã melhor.

    Junte-se à esta causa...


domingo, 10 de janeiro de 2016

Deep Web - Memex (considerações) - Atualizado em 27-Jul-2017

    Pesquisas na web de hoje usam um sistema centralizado de tamanho único, que pesquisa na Internet com o mesmo conjunto de ferramentas para todas as consultas. 

    Enquanto este modelo tem sido um grande sucesso comercialmente, ele não funciona bem para muitos casos de uso do governo. Por exemplo, ele ainda permanece em grande parte sob um processo manual que não salva sessões, requer entrada quase exatamente com a entrada de uma de cada vez, e não organizar os resultados agregados para além de uma lista de links. Além disso, as práticas de pesquisa comuns meio que perdem informações nas redes da DW - as partes da WEB não indexados pelo padrão de motores de busca comerciais, assim como ignora o conteúdo compartilhado entre páginas.
 
     Para ajudar a superar esses desafios, a DARPA lançou o programa Memex. Memex procura desenvolver um software que avança os recursos de pesquisa on-line muito além do atual "padrão de busca". O objetivo é inventar melhores métodos para interagir e compartilhar informações, de modo que os usuários podem rápida e completamente organizar os subconjuntos de busca de informações relevantes para os seus interesses individuais.

    As tecnologias desenvolvidas no programa iriam fornecer os mecanismos para melhorar a descoberta de conteúdo, extração de informação, recuperação de informação, a colaboração do usuário e outras "funções chave" de busca.
 
     Os benefícios imaginados pelo uso do programa incluem:
  • Desenvolvimento da próxima geração de tecnologias de busca para revolucionar a descoberta, organização e apresentação do conteúdo específico de domínio
  • Criação de um novo paradigma de busca específica de domínio para descobrir conteúdo relevante e organizá-lo de maneiras que são mais imediatamente útil para tarefas específicas
  • Extensão das capacidades de pesquisa atuais para a DW e de conteúdo "não tradicionais"
  • As interfaces melhoradas para militares, o governo e as empresas comerciais de encontrarem e organizarem a informação disponível publicamente na WEB.
Memex acabaria por aplicar-se a qualquer conteúdo de domínio público; inicialmente, a DARPA pretende desenvolver Memex para abordar uma missão chave do Departamento de Defesa (EUA): Combate ao tráfico humano. O tráfico de pessoas é um fator crítico em muitos tipos de investigações de inteligência militares e policiais e também tem uma presença significativa na WEB para atrair clientes. O uso de fóruns, chats, anúncios, ofertas de trabalho, serviços ocultos, etc... Que em outras palavras encontram-se o tráfico de armas, a pedofilia ou outros "comércios sexuais", tráfico de drogas (sendo estes últimos muito mais interligados do que muita gente pensa) e que continuam a permitir que uma indústria crescente de escravidão moderna se mantenha através do ciberespaço.

    Um índice que poderá ajudar em sua estratégia para o domínio de combate ao tráfico, juntamente com interfaces configuráveis ​​para a pesquisa e análise, permitiria novas oportunidades para descobrir e derrotar estas "empresas" de  tráfico.
 
     Memex planeja explorar três áreas técnicas de interesse: Indexação específica do domínio, busca de domínio específico e aplicações DoD especificados. O programa não é especificamente interessados ​​em propostas para o seguinte: Atribuindo serviços anônimos (deanonymizing) ou atribuindo identidade de servidores ou endereços IP, ou acessar informações não se destinam a ser tornados públicos. O programa pretende usar hardware de consumo e enfatizar a criação e alavancar a tecnologia de código aberto e arquitetura.
 
     O programa Memex recebe o seu nome e inspiração de um dispositivo hipotético descrito em "As We May Think", um artigo de 1945 para The Atlantic Monthly escrito por Vannevar Bush, diretor do Escritório dos EUA de Pesquisa e Desenvolvimento Científico (OSRD) durante a Segunda Guerra Mundial . Concebido como um computador analógico para complementar a memória humana, o Memex (uma combinação de "memory" e "index", ou índice de memória) iria armazenar automaticamente e de referência cruzada de todos os livros do usuário, registros e outras informações.
 
     Esta referencia cruzada, que Bush chamou de indexação associativa, iria permitir que os usuários rapidamente e com flexibilidade procurassem enormes quantidades de informações e as ideias deles ganhassem mais eficiência. O Memex pressagiava e incentivou cientistas e engenheiros para criar o hipertexto, a Internet, os computadores pessoais, enciclopédias on-line e outras grandes avanços de TI das últimas sete décadas.
 
    Bem, esta é a forma "oficial" e muito suave da DARPA em descrever o seu então novo motor de busca, demonstrando-o como um motor de busca que ajudaria a diminuir os casos de tráfico humano (o que não deixa de ser verdade, mas, só parte da verdade).

  Em 2014, a DARPA anunciou um projeto para criar um poderoso motor de busca que poderia encontrar "coisas" na DW, que ainda não estão indexadas pelo Google e outros motores de busca comerciais. O projeto chamado de Memex Deep Web Search Engine, está bem avançado.

    O Memex estava até algum tempo  sendo usado pelas autoridades de Nova York, fazendo ajustes e corrigindo a sua forma de pesquisa silenciosa, e é apenas uma questão de tempo que este passe da fase piloto para ser usado por todas as forças policiais norte-americana. No momento, o FBI já usa o Memex nas suas investigações em crimes cibernéticos, mas a aplicabilidade do Memex é bem mais abrangente, então não é muito fácil saber em que pé ou amplitude está o uso atual do Memex. Mas uma coisa é certa, nem toda a potencialidade é usada pelo FBI, pois há muita coisa que envolve as pesquisas da CIA e como todo mundo sabe, há aquela briguinha idiota de "jurisdições"... Contudo, o banco de dados do Memex fica exatamente no Data Center da NSA... Legal, né?

    Pois é, o Memex foi projetado para superar os desafios que são impostos pela DW para deixar tudo no anonimato.

    O inventor do Memex é Chris White. De acordo com as autoridades norte-americana, este é um motor de busca que não vai ser disponibilizado o seu download, até porque as suas buscas transcendem as pesquisas tradicionais - este é uma mistura de motor de pesquisas, sniffer, tracer, etc.. Os Data Centers e servidores por detrás do Memex, são de uso apenas das autoridades...

    Bem, vamos dar uma olhada nas "ferramentas" que fazem parte deste projeto, mesmo sabendo que há outras...:

    ImageCat Analisa imagens e extrai seus metadados EXIF e qualquer texto contido na imagem via OCR. Ele pode lidar com dezenas de milhões de imagens.
 

    ImageSpace Este fornece a capacidade de analisar e pesquisar através de grandes números de imagens baseadas em metadados associados e texto OCR ou subindo uma imagem.

    MemexExplorer é uma estrutura plugável para rastreamentos específicos de domínio, pesquisa e interface unificada para Ferramentas Memex. Este inclui a capacidade de adicionar links para outros aplicativos baseados na WEB.

    FacetSpace permite a pesquisa de grandes conjuntos de dados com base na extração e manipulação de características particulares relevantes.

    LegisGATE é um aplicativo para a execução do General Architeture for Text Engineering sobre recursos legislativos.


    Bem, lendo sobre estas "ferramentas" acima, até parece que não há nada de extraordinário, mas nas entrelinhas dá para perceber o quão profunda é a forma de pesquisa do Memex. Não trata-se apenas da pesquisa casual de um nome ou uma coordenada de GPS, mas da pesquisa biométrica e visual de parte ou do todo de uma imagem, além de lugares. Também inclui a pesquisa de textos em páginas web e redes sociais que possam conter alguma indicação de premeditação criminosa, além de relacionar o objeto pesquisado à que tipo de crime é melhor abrir um processo, sobre que jurisprudência e jurisdição, se for o caso...


Estes são os domínios de trabalho ativamente usados com Memex.

  • GeoInformática em Tráfico de Pessoas 

Coleta dados e informações sobre vítimas de tráfico humano com recursos de informática geoespacial.

 

  • Reconhecimento Facial

Gerencia fotos de terroristas em potencial e encontra outros lugares que eles existem na web.
   
  •  Pesquisa de Materiais

Coletar e analisar dados de trabalhos de pesquisa para criar conhecimento compartilhado em torno de um assunto ou tópico.


  • Citações do Tribunal

Rastreia na web documentos judiciais para ajudar a identificar traficantes de pessoas.

 
     É claro que  essa é a informação simplória que o pessoal do projeto Memex quer passar (sabe de nada inocente...)

    Na minha opinião, o Shodan é um motor de pesquisas bem criancinha se compará-lo com o Memex.

    E à propósito, o Memex parece muito (ou faz-me lembrar) daquela série de ficção Person of Interest...

    De acordo com um gerente de programação, partes do Memex já estão disponíveis e a DARPA antecipa que vários componentes do sistema global Memex serão disponibilizadas mais amplamente ao público por meio do Catálogo DARPA. Realmente tem várias universidades de renome, Assim como MIT no meio deste estudo e com diversas propostas sobre várias formas de pesquisas.

    A DARPA deu a entender que o Memex é de código aberto, mas até que ponto este código aberto vai ser disponibilizado, eu ainda não sei. Mas uma coisa é certa: As gigantes Google, Yahoo e Bing estão só de olho no Memex pois este transcende os algoritmos dos atuais motores de pesquisa que focam mais no âmbito comercial. O diferencial do Memex é que este não vai "enxergar" distinções entre redes da superfície e da DW, e a sua pesquisa não limita-se apenas à rede Tor.

    Eu deixo aqui a página com os diversos modelos de algoritmos em estudo para a inclusão no Memex (aqui). É possível baixar os arquivos.


    E aqui vai um link de vários vídeo (em inglês, inclusive legendas) sobre esta ferramenta que vai mudar um pouco o ritmo daquela galera que acha que a DW é inviolável (aqui). Se você não leu sobre as camadas da DW veja (aqui), e fique sabendo que a predecessora da rede Tor, The Onion Routing (TOR), foi criada pela DARPA em conjunto com USNavy (1994).

    Eu me lembro que em algum lugar eu escrevi que a DARPA já deveria ter uma "versão" da rede Tor que pudesse ler esta atual e tão conhecida rede da DW. Pois é, este Memex está mais parecendo uma "parte" da antiga TOR que não foi entregue aos internautas.

    E se eu parar e pensar bem, o Memex só apareceu na mídia quase 20 anos depois da criação da então The Onion Routing (TOR). Tempo mais do que suficiente para "aprender" a realizar buscas nas redes Freenet, I2P (que usa um protocolo chamado de Garlic Routing, mas não é a rede Garlic) e sim uma variante da Tor (ou Onion se preferir), Garlic (que também já herdou "alguma coisa" da I2P), e o Memex está avançando nas pesquisas de outras redes criptografadas.

    É bom lembrar que cada sub-rede da DW herdou "alguma coisa" de outra ou outras sub-redes, e esta herança está mais nos hábitos de programação da equipe que montou. Olhando cuidadosamente dá para perceber certos "hábitos involuntários" na programação e que estes pertencem à alguma pessoa ou equipe de programação.

    Então não é muito difícil o Memex possuir algoritmos baseados em "particularidades". O pessoal da DARPA também não deve ter tido nenhum problema em estudar o Emule, e por tabela, poder também "mapear" outras redes como a KAD ou a Retroshare, etc... Ou você acha que a DARPA não vai ter à disposição o código fonte de software norte-americanos, alegando esta necessidade como algo de segurança nacional?

    Pode ter certeza que uma boa parte deste projeto vindo da DARPA não vai ser do conhecimento público, pois é melhor criar um projeto que todos possam participar do que simplesmente ficar calado (vai que vaza alguma coisa, né?) É uma cortina de fumaça que está dando os seus frutos, sem chamar a atenção.

    O anonimato é algo que ainda existe na DW mas (sempre o maldito "mas"...), vai depender de muitas coisas para continuar a existir, e a primeira vai depender de você leitor e usuário! Seus hábitos e comodismo são os piores inimigos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Rede Tor ganha regulamentação especial



 Fonte: Canaltech

    De repente surge uma luz do outro lado do muro...

    A maioria dos internautas sabe que pelo menos 90% do conteúdo da WEB é conhecida como a Deep Web (DW) e, a rede Tor tem sido o "carro chefe", e tem dado muita visibilidade à esta parte "invisível" da WEB.

    Agora  uma parte da DW já poderá ser vista com bons olhos e sem aqueles adjetivos sombrios e criminosos - é claro que sempre haverão sites com conteúdo ilícito, seja na DW como na superfície. Mas o bacana mesmo é que agora será reconhecido a necessidade de que uma parcela da WEB seja "oculta" ou melhor dizendo, anônima e instrumento indispensável ao direito inalienável de todo ser humano em expressar as suas opiniões e pensamentos.

    As principais instituições de regulação da internet reconheceram os domínios .onion, tornando-os exclusivos da rede Tor e garantindo que eles sejam tratados como endereços “especiais”.
O parecer foi emitido pela Internet Assigned Numbers Authority (IANA) e pela Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN), duas organizações responsáveis por regulamentar a utilização da internet e a atribuição de endereços para as páginas.

    Estas reconheceram a necessidade de uma rede anônima, para uso em países onde a liberdade de informação é restrita, e também como uma forma de garantir a segurança de delatores, que possam aproveitar a segurança incrementada da DW para fazer denúncias e trazer segredos que possam ser de interesse do público.

    Tal mudança (bem-vinda por sinal) também garante proteção contra o sequestro de endereços. Na onda dos domínios distintos, com finais diferentes dos tradicionais .com ou .org, por exemplo, existia um temor de que, em algum momento, as portas para o .onion fossem abertas na rede tradicional, o que poderia enlouquecer navegadores e dificultar o acesso aos sites. Com a exclusividade dessa atribuição para a rede Tor, isso não pode mais acontecer.

    Mais do que isso, a regulamentação também garante uma diferenciação entre endereços legítimos que estejam na DW (rede Tor) e domínios criminosos, como os serviços de venda de drogas ou tráfico de pessoas que tornaram essa versão da rede tão notória.

    Com a legitimação, sites poderão solicitar certificados de segurança e aplicar novos protocolos de proteção de informação, tornando o ambiente como um todo muito mais seguro.

    Alguns sites, como as versões do Facebook ou do The Intercept disponíveis na DW, já haviam obtido certificados, mas fizeram isso a partir de seus endereços na superfície. Para as organizações envolvidas, trata-se de um novo compromisso com a privacidade e a segurança, além da garantia de que exista uma rede oculta e que sirva aos propósitos de propagação de informação, da forma segura e anônima que todos os seus usuários desejam.

    É uma grande vitória dos internautas ver a quebra deste muro (como tantos outros da vida real) e tornar o acesso à rede Tor algo mais coloquial e natural por quem defende a liberdade e a democracia.

domingo, 7 de junho de 2015

Deep Web, o filme (documentário)





    Lançado um documentário sobre  a Deep Web. Um documentário que explora a ascensão de uma "nova" Internet; descentralizada, criptografada, perigosa e desafiando as leis.

 É claro que não vai contar tudo mas pelo menos, não é um vídeo como muitos no YouTube que fala mais das bizarrices ou de como deve-se fazer para configurar ou baixar o Tor, Tails, Freenet, I2P, etc.

    Contudo, não é um filme de suspense ou ficção no estilo de "A Rede" ou "Matrix". Na verdade passa a maior parte como uma "propaganda solitária" sobre a inocência do administrador do site Silk Road Ross Ulbricht, também conhecido como Dread Pirate Roberts. Todos sabem que o SR chegou a ser o maior mercado negro online na venda de  drogas, sem contar o que rolava além disso.

    Pois é, ainda que meio patético ver neste documentário a inútil mas compreensível luta de uma mãe pela absolvição de seu filho, como se houvesse diferença entre vender drogas no mundo real  e online. Também muitos movimentos e simpatizantes do software livre, da liberdade e privacidade na internet, na minha opinião meio que misturaram muita coisa.

    Crime é crime, seja na vida real ou virtual. Eu defendo mesmo o direito a privacidade e até ao anonimato, desde que estes não violem nenhuma lei. Usar a tecnologia como ferramenta para o cometimento de um crime não é muito diferente de usar uma criança para o mesmo propósito.

    Muitos que não gostaram dos resultados obtidos pelas autoridades, e da própria justiça, assim reagem pela "perda" da facilidade em comprar drogas. Nesta inversão de papeis, os dependentes químicos nem percebem que eles são vítimas dos traficantes - e da própria estupidez. Por que ainda o ser humano acredita que deve depender de substancias que alteram o seu estado de consciência?

    Com tanta coisa boa no mundo, tantos lugares belos e povos maravilhosos, pra que enganar o próprio cérebro se a vida vai continuar do mesmo modo?

    Se tem algo de positivo neste filme, é o de mostrar que não importa o que você é ou faz. Mas se escolher a vida das drogas e do mercado por detrás destas, você só tem dois caminhos com um fim bem próximo: A cadeia e/ou a morte.


    Então pegue a pipoca e divirta-se!

Escolha qualquer um dos links abaixo.












quarta-feira, 3 de junho de 2015

A corrida das "camadas" da Deep Web - Atualizado em 21-Mar-2017



    A humanidade já atravessou na sua história várias épocas de corridas procurando algo valioso. Nós já tivemos a corrida do cobre, da prata, do ouro, dos diamantes, da Lua... e por aí vai. Agora com a computação bem estruturada, a nova corrida é pelas "terras desconhecidas" do ciberespaço ou como mais conhecemos, as "camadas" da Deep Web (DW).

    Todo mundo quer saber (e dizer) a respeito das "camadas" da DW, e de volta vem aquela insaciável curiosidade sobre o que pode ter ou fazer-se nestas "camadas".

    De certa forma elas tornaram-se até mercadorias de consumo, pois você já imaginou se pudesse ganhar um único centavo por cada pesquisa feita sobre estas "camadas"? E pode ter certeza que tem gente lucrando com este assunto, seja em páginas web, seja em vídeos no YouTube, livros... Eu já estou até aguardando o surgimento de uma distro Linux do tipo: "Deep Web Live", que nem aquela distro Anonymous-OS que atraiu como abelhas no mel, milhares de downloads, até o próprio movimento Anonymous se manifestar esclarecendo que não tinha nada a ver com esta distro. Para mais detalhes sobre este fato leia (aqui).

    No mundo do "curtir", "seguir", "adicionar" e "compartilhar" quase automáticos nos dedos dessa geração conectada, tópicos como esses levam milhares de internautas a entrarem de cabeça em assuntos "atraentes", "curiosos", "bizarros", "instigantes", "sigilosos", etc e que estas são as palavras-chaves mais usadas quando se posta alguma coisa sobre a DW.

    Tá certo que tem tudo isso na DW (mas aonde é que tudo isso não existe?), e leva milhares e milhares de internautas à uma ilusão de um "outro lado", um "Matrix" ou uma possibilidade de realizar contatos imediatos com os nossos "irmãos" extraterrestres! Uau! Eu "viajei" mesmo agora...

   Poxa, se eu fosse um cara ganancioso e bem pilantra, eu pegaria tudo o que aprendi de eletrônica e computação, e escreveria numa linguagem bem atraente e estruturada com muitas histórias sobre essas "camadas", cheias de mistérios, suspense, perseguições e conspirações para todos os gostos... Mas eu confesso que não tenho o talento de Juan José Benítez López autor da série literária de ficção Operação Cavalo de Troia.

    É impressionante como o "mistério" (alimentado por muitos) e a curiosidade enorme por essas "camadas" levem milhares de internautas a bombardearem o Google com perguntas sobre como entrar na "camada" x, y ou z. Essa galera vive procurando por um "passaporte" para entrar numa determinada camada, ou pelo menos, um "visto de turista". Fala sério...

    Será que essa galera ainda não entendeu  que a WEB é uma única rede mundial, sendo uma "parte" chamada de superfície e a outra "parte" de DW, mas que no final das contas é a mesma rede?

    Redes criptografadas e proxys não são exclusividades da DW, aliás é o que mais tem na superfície (mas você não percebe né?), se não fosse assim, não haveria segurança digital e privacidade nem no teu próprio email (desconsiderando o trabalho das agências de segurança de vários países que vivem fuçando a privacidade alheia, silenciosamente).

    Qual é a diferença entre uma sub-rede qualquer e uma "camada" da DW? Nenhuma! Uma sub-rede (ou rede privada, se preferir) é um pequeno ramo da WEB que tem como ponto de acesso requisitos únicos e pessoais pelos que criaram-na. Nem um pouco diferente de milhares de outras sub-redes que pertencem a empresas privadas, bancos, universidades, governos, etc.



    Quem monta uma rede, define quais os tipos de classificações esta deve possuir, e estas combinações podem ser de milhares de formas. Para ter uma ideia melhor de como uma rede pode combinar diversas características, dê uma olhada (aqui).

    Essa galera pensa que todas as redes são compatíveis com os computadores pessoais. Nenhum PC acessa um Data Center diretamente, mas sim uma camada pré-configurada para poder ser navegada pelo internauta; quando você faz uma simples busca no Google você não penetra no servidor, mas a tua pergunta feita na caixa de pesquisa é levada para um sem-número de servidores de várias formas, e a tua resposta volta como uma simples página de links, sendo que cada link foi "montado" e vindo de qualquer servidor no planeta. Ou seja, como a eletricidade viaja na velocidade da luz, você nem faz a ideia de quantas vezes a tua pergunta deu a volta na Terra até a resposta surgir na tua tela (abaixo, visão parcial de um Data Center do Google).



    A DW apenas é mais lenta que a superfície por causa das criptografias e mecanismos de acesso, fora isso, a DW é igual a qualquer sub-rede de uma companhia (na superfície) que utilize os mesmos "protocolos", vamos dizer assim para simplificar.

    Quanto mais uma rede criptografada cresce, o tráfego na mesma fica mais lento, somando isso a milhões de internautas acessando ao mesmo tempo. Agora, dependendo da complexidade do algoritmo que uma rede utiliza, um PC não dará conta de acessa-la assim tão fácil, pois poderia passaria meses (ou anos) para cada usuário acessar cada nó desta rede.


      Muitas sub-redes na DW criadas por hackers e/ou entusiastas em TI, foram montadas para "PCs turbinados", na verdade está mais para um servidor do que um PC, pois são muitos processadores, muita RAM e muito armazenamento físico envolvido... Ah! e muitas linhas de comando no terminal para configurar e ativar o login. Afinal, tudo é feito para quem gosta de programação e não para dependentes de uma interface gráfica. Cá pra nós há um gostinho especial em fazer as coisas "à unha".

    Então, mesmo que você tivesse o livre acesso e uma conta permanente e gratuita de energia elétrica e internet, teu PC iria ficar ligado durante muito tempo carregando a página - enquanto isso você faria toda a tua faculdade, se formaria, casaria, e talvez quando o teu primeiro filho estivesse dando os primeiros passos, apareceria a tua tela de login para entrar na rede.

    Este tipo de sub-rede é muito comum em redes governamentais que tratam de material sensível. Pra falar a verdade, tem mais DW na superfície do que você pensa!

    A maior parte do conteúdo destas "camadas" já está nas redes Tor, Freenet e I2P. E não teria como não estar lá. Pense um pouco, pois o conteúdo de uma sub-rede na DW é formado por páginas web largadas e bilhões de arquivos no esquecimento. Não se tira uma pagina web ou esses arquivos de um "lugar" e transfere-os para outro, apenas cria-se um link para o "lugar que esta já está". Quem não tem um link não acessa-a, mas não significa que esta não exista e possa ser "redescoberta"...

    É claro que eu não estou afirmando que a maioria das camadas sejam inacessíveis - podem até ser se considerarmos a velocidade de processamento e a tecnologia do PC. Outra coisa que muita gente não dá a devida atenção e que tem tudo a ver com a velocidade de conexão, é a placa de rede (onboard ou offboard) que via de regra, tem a capacidade de processar uma conexão banda larga de até 5Mb/s. Porém existem placas de rede (mais caras, logicamente) que permitem conexões de além 100Mb/s, e dependendo do roteador hoje podem alcançar a velocidade de 1GB/s algo mais do que necessário para quem quer permanecer navegando em redes criptografadas, subindo e descendo arquivos.

    Analogamente a uma pessoa que trabalha com projetos de imagens e vídeos e possui uma excelente placa de vídeo (ou placa gráfica) para poder executar o seu trabalho de forma confortável e exemplar, também programadores e desenvolvedores no universo da WEB precisam de uma excelente placa de rede para realizar o mesmo.

    É claro que existem aquelas sub-redes que rodam através de um computador quântico, devido a complexidade de cálculos, algoritmos e chaves de criptografia muito sofisticados, que são  usados nos mais diversos trabalhos desde acadêmicos até militares.

    A maioria dos internautas que procuram saber como "entrar" em uma "camada", são usuários ingênuos que por falta de informação, acreditam que usando um PC modesto eles vão poder entrar em quantas sub-redes quiserem. Se o PC em questão não corresponde tanto em hardware como em software os requisitos mínimos de uma sub-rede para acessá-la, é pura perda de tempo!

    E só para terminar, Tem "camadas" que o teu acesso é mantido no estilo de uma assinatura. Ou seja nada nada diferente daqueles sites de download ou de serviços pagos na superfície!

    Repito aqui uma resposta minha dada a um leitor, ainda que resumida:

    Seja que sub-rede for, alguém a criou exatamente para não ser um "ambiente" público. Esses "níveis" são apenas redes privadas que você não pede para entrar, você tem que ser convidado, ou ter a habilidade de penetrar. Veja esses "níveis" como uma fraternidade que os requisitos mais comuns (e óbvios) são:
  • Proficiência em língua inglesa (inclua gírias e expressões idiomáticas voltada a programadores);
  • Criptografia, PGP e keys;
  • VPN's, VM's;
  • intimidade com proxys como os usados pelas redes Tor, Freenet e I2P;
  • Saber manusear IPs (DNS, IPv4, backdoor, metadata, etc.);
  • Conhecer as mais comuns linguagens usadas para criar páginas web (JAVA, HTML5, PHP, etc.);
  • Conhecer hardware - dependendo da sub-rede você vai ter fazer "implementações" na tua máquina, ou mesmo reconfigurar ou trocar de roteador;
  • Saber tirar proveito das configurações avançadas dos navegadores (about:config)
  • Usar e conhecer Linux ou outras variantes do Unix usando o sistema de janelas X11, e isto significa saber usar o Bash.
  • Usar uma máquina (PC) dedicada para isso. Na impossibilidade disto. usar uma Máquina Virtual e repassar os teus dados através de uma VPN.

    Certo, ninguém vai te pedir um currículo para te mandar um convite. Vai ser através das tuas conversas (em inglês) em fóruns de TI e na tua participação e colaboração com a galera de lá.

    Não se surpreenda se a maioria das coisas que você encontrar em alguma sub-rede já estava à tua disposição noutra rede (Tor, Freenet, I2P, etc) ou mesmo na superfície.